sábado, 23 de janeiro de 2010
terça-feira, 7 de julho de 2009
O hiperrealismo de Mueck
O escultor hiperrealista Ron Mueck nasceu em 1958 em Melbourne, Austrália. Seus pais eram fabricantes de brinquedos e Ron passou anos criando marionetes. Sua carreira mudou radicalmente a partir de 1996 quando a sua sogra, Paula Rego, radicada em Inglaterra, precisava de um modelo para pintar o Pinóquio. Pediu então ao genro para fazer essa escultura. O colecionador de arte Charles Saatchi viu a obra e encomendou de imediato outros trabalhos. Iniciou-se então a carreira artística de Ron Mueck.
A primeira reação perante suas obras é de espanto e ao mesmo tempo passamos admirá-las instintivamente quando examinarmos os pormenores dos corpos humanos. Esse costuma ser o tema das suas esculturas verdadeiramente pertubadoras cuja qualidade as tornam muito reais e emotivas.
Vale a pena admirar e se encantar:
domingo, 28 de junho de 2009
Michael Jackson - A Globalização do POP
Acredito que todos vocês já estão saturados em ouvir sobre a morte de Michael Jackson. A mídia, como sempre, explora esse assunto até a exaustão de nossa paciência. Pois é, a mesma mídia que de uns anos para cá detonava sua imagem com seus supostos escândalos sexuais, agora está lhe rendendo uma série de homenagens e reconhecimento ao seu inegável talento artístico.
A notícia da sua morte, em decorrência de uma suposta parada cardíaca, foi uma surpresa para o mundo todo. Confesso que não era fã de carteirinha do artista, mas reconheço a sua grande contribuição para o mundo do entretenimento e da cultura pop.
O artista norte-americano tornou-se conhecido no mundo, na década de 70, com o grupo musical formado com seus irmãos, Jackson Five. Aos 13 anos deixou a banda para dar início à carreira solo que estouraria nos anos 80 e ultrapassaria as fronteiras raciais na cultura ao se tornar um ídolo de massas mundial.
Michael inovou não inovou apenas na cultura pop, mas também na dança, nos vídeo clipes, shows, e, principalmente, na indústria fonográfica – referente ao seu poder de venda de albuns e singles. Além disso, abriu uma nova era na relação entre os artistas da música e gerou novos parâmetros comerciais e de ações de marketing em todo o planeta.
Mais que tudo isso, Michael influenciou diversos movimentos culturais como o hip hop e o rap, que a partir de Jackson, tomou uma dimensão inédita, através da criação dos passos de break dance, como o moonwalk.
Em se tratando de Michael Jackson, superprodução era a palavra de ordem. No caso dos vídeos musicais, o músico (e obviamente seus produtores e diretores de clipes) inaugurou uma nova fase em que roteiro, enquadramentos de câmera, imagem, figurino, luz, maquiagem e efeitos especiais passariam a ter um cuidado e importância jamais vistos.
O cantor também foi influente para a moda. Suas roupas e acessórios (chapéus, sapatos, meias, calças, camisas, jaquetas) – muitas vezes cheios de brilhos e tachas - eram uma perfeita mistura de estilos punk, new wave, hip hop e soul que disseminaram pelo mundo. Nos anos 80, obter um destes objetos era a glória dos fashionistas e fãs do cantor.
Assim, Michael construiu sua imagem de rei do pop, uma categoria que, para seus amantes, jamais foi arranhada, nem mesmo pelos escândalos de sua vida pessoal que foram amplamente explorados pela mídia nos últimos anos.
Assisti uma entrevista do cantor Ed Motta na televisão e ele fez uma comparação bastante interessante ao definir Jackson como “um Mozart Soul inigualável para a cultura pop”. Achei curioso e pensei um pouco sobre isso. Relembrei da minha infância na década de 80, dos seus hits e de todo o modismo e costumes da época.
É impossível imaginar aqueles anos sem a influência de Michael na nossa cultura como uma forte marca de um mundo capitalista que começava a se globalizar e disseminar o pop como cultura de massa em todo planeta.
terça-feira, 23 de junho de 2009
George Orwell e nosso caos social
George Orwell (1903–1950) era o pseudônimo literário de Eric Arthur Blair. Orwell nasceu em Bengala, região da Índia, e ainda jovem renunciou à vida oferecida pelos pais, um inglês e uma francesa da alta burguesia européia, decidindo defender a causa das pessoas das classes menos abastadas, conhecendo com sua própria vida a rigorosidade da miséria.
Escritor, jornalista e militante político, George Orwell escreveu obras que retratam a sociedade contemporânea, com suas incoerências e injustiças. Ele participou da Guerra Civil Espanhola, defendendo os ideais marxistas e trotskistas. Desencantado com o socialismo, alguns de seus principais romances denunciam o comunismo stalinista e combatem o nazi-fascismo. Durante a Segunda Guerra Mundial, Orwell trabalhou como correspondente da BBC de Londres.
Suas obras mais importantes foram escritas após a Segunda Guerra Mundial, quando o escritor contou, em seus romances, a realidade da grande divisão vivenciada pelo planeta em dois blocos: capitalista e socialista (Guerra Fria).
Orwell morreu de tuberculose na Inglaterra, deixando obras de grande importância histórica e para reflexão social.
Alguns de seus romances: Dias na Birmânia (1934); A Filha do Reverendo (1935); Mantenha o Sistema (1936); Um Pouco de Ar, Por Favor! (1939); A Revolução dos Bichos (1945); e 1984 (1949).
Obras de não-ficção: Na Pior, em Paris e em Londres (1933); A Caminho de Wigan (1937); e Lutando na Espanha (1938).
Indico para todos vocês este site super bacana que fala tudo sobre o escritor e as obras. É um dos mais completos sobre Goerge Orwell que eu conheço:
http://www.duplipensar.net/george-orwell/
Espero que gostem!
Abaixo segue uma apresentação que eu produzi falando brevemente sobre as obras de Orwell:
1984 – Orwell já previa o Big Brother e sua alineação
1984 é uma metáfora sobre o poder e as sociedades modernas. George Orwell para avisar os seus contemporâneos e as gerações futuras do perigo que corriam. Stalin, Hitler e Churchill foram algumas das figuras que o inspiraram a escrever o romance.
A história se passa na Pista Nº 1, o nome da Inglaterra sob o regime totalitário do Big Brother e sua ideologia do socialismo inglês (IngSoc), e conta a história de Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, um órgão que cuida da informação pública do governo. Diariamente, os cidadãos devem parar o trabalho por dois minutos e se dedicar a atacar histericamente o traidor foragido Emmanuel Goldstein e, em seguida, adorar a figura do Big Brother. Smith não tem muita memória de sua infância ou dos anos anteriores à mudança política e, ironicamente, trabalha no serviço de retificação de notícias já publicadas, publicando versões retroativas de edições históricas do jornal The Times. Estranhamente, ele começa a interessar-se pela sua colega de trabalho Julia, num ambiente em que o sexo, se for para procriação, é considerado crime. Ao mesmo tempo, Winston é cooptado por O'Brien, um burocrata do círculo interno do IngSoc que tenta fazê-lo a não abandonar sua fé no Big Brother.
O curioso é que o Estado controlava o pensamento dos cidadãos pela manipulação da língua. O Ministério da Verdade criou a Novilíngua, uma língua em construção que quando estivesse finalmente completa impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao regime.
Uma das palavras criadas foi Teletela (Telescreen), nome dado a um dispositivo através do qual o Estado vigiava cada cidadão. A Teletela era como um televisor que permitia tanto ver quanto ser visto. Na trama, todas as residências são equipadas com uma teletela, que não pode ser desligada, apenas ter seu volume diminuído. Elas eram usadas pelo Big Brother para vigiar todos os cidadãos. É esta idéia que deu origem ao formato do programa do reality show que hoje é fenômeno no mundo todo.
Um outro aspecto interessante é que no livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra. Segundo ele, o objetivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos.
1984 é um romance magnífico e visionário ao retratar uma sociedade onde o Estado é onipresente, com a capacidade de alterar a história, de oprimir e torturar o seu povo, travando uma guerra sem fim, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada.
Pois é, hoje temos um reality show que faz o país parar de olho nas intrigas, romances e curiosidades sobre a vida alheia. Junte isso a um governo cheio de escândalos de corrupção que juntamente com um Congresso faz de tudo para que a verdade não chegue até nós. Some tudo ao efeito de uma sociedade alienada os BBBs e Fazendas da vida. Qualquer semelhança com 1984 não é mera coincidência. Infelizmente ...

